RASP – Infantil

25/03/2024 22:27

Desenvolvimento do RASP Infantil

Diante da carência significativa de protocolos adequados para a avaliação da percepção de fala em crianças com perda auditiva, surgiu a necessidade premente de desenvolver um teste específico para essa finalidade. O objetivo primordial deste empreendimento era proporcionar aos profissionais da saúde auditiva uma ferramenta precisa e sensível para a avaliação e acompanhamento das crianças afetadas, ao mesmo tempo que contribuiria para o avanço científico na área de percepção de fala em crianças¹.

O processo de desenvolvimento do RASP Infantil seguiu uma abordagem sistemática, composta por várias etapas cruciais:

1. Revisão da Literatura e Planejamento: Inicialmente, foi realizada uma revisão abrangente da literatura existente na área de percepção de fala em crianças. Esse processo permitiu uma compreensão detalhada das lacunas existentes nos protocolos de avaliação disponíveis, bem como identificou os requisitos essenciais para o desenvolvimento do novo teste.

2. Estudo Piloto: Em seguida, um estudo piloto foi conduzido para avaliar a viabilidade e eficácia do teste proposto. Crianças dentro do grupo etário alvo, sem queixas de alterações auditivas ou neurológicas, foram recrutadas para participar do estudo. Uma cuidadosa seleção e aplicação de testes audiológicos básicos garantiram a adequação dos participantes.

3. Desenvolvimento das Sentenças: Baseando-se nos insights obtidos da revisão da literatura e do estudo piloto, iniciou-se o desenvolvimento das sentenças que comporiam o teste. Esse processo envolveu a seleção criteriosa de vocábulos familiares às crianças, bem como a elaboração de sentenças gramaticalmente corretas e semanticamente relevantes.

4. Avaliação por Juízes Especializados: As sentenças desenvolvidas foram submetidas à avaliação de juízes especializados nas áreas de Audiologia, Linguagem e Linguística. Esse passo foi fundamental para garantir a familiaridade e adequação das sentenças, tanto em termos de significado quanto de estrutura linguística.

5. Refinamento e Validação: Com base no feedback dos juízes e nos resultados do estudo piloto, o teste foi refinado e validado. Esse processo incluiu a revisão final das sentenças, bem como a realização de testes adicionais para garantir sua eficácia e confiabilidade.

Ao seguir essa abordagem metódica e cuidadosa, o RASP Infantil foi concebido como uma ferramenta robusta e confiável para a avaliação da percepção de fala em crianças com perda auditiva, representando um avanço significativo na área da saúde auditiva infantil.


Desenvolvimento da Gravação do RASP Infantil

Com base na pesquisa realizada por Sturmer e Pinheiro (2022), que adaptaram uma série de sentenças para avaliar o reconhecimento da fala em crianças, surgiu a necessidade de avançar no projeto através da gravação das sentenças. O objetivo era contribuir cientificamente e clinicamente para a expansão dos estudos na avaliação da percepção de fala em crianças com perda auditiva usuárias de dispositivos auditivos eletrônicos¹.

Etapa 1: Revisão da Literatura e Planejamento

A primeira etapa envolveu uma revisão abrangente da literatura em bases de dados relevantes, como Lilacs, PubMed, Scielo, BDENF, CINAHL, Embase, Scopus, e literatura cinzenta, como o Google Acadêmico, no período de setembro a dezembro de 2022. O objetivo era coletar informações sobre os testes de percepção de fala para crianças, observando o tipo de estímulo utilizado, a faixa etária considerada, a língua empregada e se houve adaptação para o português brasileiro.

Etapa 2: Seleção do Locutor e Gravação do RASP Infantil

Inicialmente, o RASP Infantil utilizou uma gravação prévia das sentenças. No entanto, identificou-se a necessidade de uma nova gravação para aprimorar a qualidade dos áudios e, consequentemente, dos resultados do teste. Diversas medidas foram tomadas para garantir o sucesso dessa etapa.

Primeiramente, todas as falhas presentes na gravação anterior foram identificadas e corrigidas para evitar repetições. Uma sessão de treinamento ministrada por um professor do laboratório de vibrações acústicas proporcionou uma compreensão mais profunda do processo de gravação. Além disso, a pesquisadora responsável pela gravação estudou e se familiarizou com o software utilizado, realizando testes para assegurar a qualidade final.

Após esse preparo, um novo locutor foi selecionado. Embora a locutora anterior tenha sido convidada inicialmente, condições de saúde durante a gravação impediram a reprodução do padrão desejado. Assim, uma nova locutora foi escolhida com base em critérios rigorosos de experiência em narração, fala neutra, ritmo adequado, boa articulação e qualidade vocal. Esta locutora passou por um treinamento específico para garantir excelência na gravação.

As gravações foram realizadas em dezembro de 2023 no Laboratório de Vibrações Acústicas (LVA) da UFSC. Antes das sessões, a locutora realizou exercícios de aquecimento vocal sob orientação de um professor do curso de Fonoaudiologia especializado em voz. As gravações foram feitas em uma cabine acústica com equipamentos de alta qualidade, utilizando o software Audacity para a conversão e edição dos áudios.

Etapa 3: Edição e Incorporação ao Software perSONA

Após as gravações, iniciou-se a fase de edição do teste, realizada entre maio e junho de 2023. Cada lista de sentenças e as próprias sentenças foram analisadas individualmente. Utilizou-se o software Audacity para remover ruídos, ajustar graves e agudos, e deletar elementos indesejáveis nas gravações. A edição foi realizada pela estudante do curso de Fonoaudiologia, com apoio do laboratório de vibrações acústicas.

As gravações editadas foram incorporadas ao software perSONA, desenvolvido por membros da equipe do LVA. Foram criados cinco arquivos de áudio correspondendo às cinco listas de sentenças, completando assim a etapa de gravação do RASP Infantil.

Essa abordagem sistemática e detalhada garantiu a qualidade e confiabilidade do processo de gravação, representando um avanço significativo no projeto de avaliação da percepção de fala em crianças com perda auditiva.

 

Referências:

  1. Isabele S. Desenvolvimento de um teste para avaliar a percepção da fala de crianças com perda auditiva. 2022 Sep 1 [cited 2023 Oct 26]; Available from: https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/239680

RASP – Adulto

25/03/2024 22:27

Em 2018, uma análise da literatura nacional revelou uma escassez de opções de testes de percepção de fala adequados para avaliação de adultos na prática clínica atual. Com o objetivo de disponibilizar uma ferramenta mais precisa para a prática clínica, este estudo visa desenvolver um teste de reconhecimento de fala no ruído voltado para deficientes auditivos. Prevê-se que esse teste tenha um equilíbrio fonético e seja capaz de avaliar com precisão o limiar de reconhecimento de fala no ruído em indivíduos com perda auditiva.

Com o intuito de oferecer uma nova ferramenta para os profissionais da fonoaudiologia, foram examinados bancos de fala do Português Brasileiro (PB). Esses bancos são compostos por um grande número de sentenças, permitindo captar as variações e nuances linguísticas em uma comunidade de fala. Um banco de fala amplamente reconhecido no Brasil, desenvolvido por Alcaim¹ e adaptado por Seara², consiste em sentenças que foram balanceadas foneticamente e contêm 35 segmentos (fonemas e suas variações) do PB. Embora a pesquisa de Seara tenha se destacado por seu rigor no balanceamento fonético, devido aos propósitos clínicos do estudo e à necessidade de adaptar o material de fala para adequação ao vocabulário, significado e previsibilidade, percebeu-se a importância de atualizar as sentenças.

Portanto, com o intuito de disponibilizar um teste clínico que avalie com eficácia o reconhecimento de fala e facilite o trabalho do fonoaudiólogo, tiveram como objetivo a adaptação de uma lista de sentenças para a avaliação do reconhecimento de fala em adultos com base em um banco de fala com sentenças balanceadas foneticamente, adaptado por Seara² e de autoria de Alcaim¹.

Para isso, foi realizado em três etapas:

  1. Análise dos juízes por meio de um questionário on-line;
  2. Atualização das sentenças de acordo com os critérios de construção fundamentados pela literatura;
  3. Estudo piloto com normouvintes;

Após análise dos dados e resultados obtidos, considera-se que o presente estudo alcançou o seu objetivo, ou seja, adaptar uma lista de sentenças para avaliar o reconhecimento de fala para adultos falantes de PB. Foi possível atualizar as sentenças do banco de fala, sendo o critério de previsibilidade o mais apontado pelos juízes na primeira fase do estudo. Já na segunda etapa, foi a exclusão de  nomes próprios e sentenças que não continham baixo nível de abstração e boa semântica.

Como parte do desenvolvimento contínuo da adaptação da lista de sentenças para avaliar o reconhecimento de fala em adultos, um novo estudo surgiu com o objetivo de analisar o desempenho de adultos com audição normal em um Teste de Reconhecimento de Fala.

O estudo foi dividido em várias etapas:

  1. Seleção de um locutor para a gravação das sentenças e edição do material de fala;
  2. Teste das sentenças em indivíduos com audição normal;
  3. Análise dos resultados;

Inicialmente, a seleção de um locutor para gravar as sentenças foi realizada. Em seguida, um Teste de Reconhecimento de Fala em Português Brasileiro, com listas de sentenças, foi administrado em 20 adultos normouvintes, de ambos os sexos, com idades entre 20 e 28 anos. As sentenças do teste foram gravadas por uma locutora e integradas ao software perSONA. O Índice Percentual de Reconhecimento de Sentenças no Silêncio (IPRSS) foi analisado como métrica de desempenho.

Os participantes avaliaram a extensão das listas, atribuindo notas às mesmas. As notas atribuídas pelos participantes para cada lista foram positivas, e a mediana das pontuações obtidas pelo IPRSS foi alta para todas as listas. Os resultados indicaram que este é um instrumento confiável para a prática clínica fonoaudiológica, contribuindo para a padronização da avaliação do reconhecimento de fala tanto em indivíduos com audição normal quanto em indivíduos com perda auditiva.

Referências:

  1. Alcaim, A., Alberto Solewicz, J., & Antônio de Moraes, J. (2015). Freqüência de Ocorrência dos Fones e Listas de Frases Foneticamente Balanceadas no Português Falado no Rio de Janeiro<br />DOI: 10.14209/jcis.1992.2. Revista de Comunicação e Sistemas de Informação, 7 (1). Obtido em https://jcis.sbrt.org.br/jcis/article/view/166
  2. Seara IC. Estudo estatístico dos fonemas do português falado na capital de Santa Catarina para elaboração de frases foneticamente balanceadas [dissertação]. Florianópolis: Curso de Linguística, Universidade Federal de Santa Catarina; 1994.

 

RASP – Ruído

25/03/2024 22:27

Desenvolvimento de Ruídos de Babble para Testes de Percepção de Fala no Ruído em Português Brasileiro

No Brasil, a disponibilidade de testes de percepção de fala no ruído traduzidos para o português é escassa. Reconhecendo essa lacuna e visando contribuir para a pesquisa e a prática clínica na área de percepção de fala, um estudo foi conduzido com o objetivo de desenvolver um conjunto de ruídos do tipo babble em português brasileiro e investigar como fatores como sexo, faixa etária e número de falantes influenciam a compreensão do mesmo.

O estudo foi realizado em duas etapas distintas. Primeiramente, ocorreu a gravação e a edição do ruído do tipo babble em português brasileiro. Essa etapa foi crucial para garantir a autenticidade e a representatividade do material sonoro, visando criar um ambiente acústico semelhante ao encontrado em situações do cotidiano brasileiro. A segunda etapa consistiu na análise dos áudios de babble noise por juízes especialistas, que contribuíram com seus conhecimentos para avaliar a qualidade e a eficácia dos ruídos desenvolvidos.

O desenvolvimento do conjunto de ruídos envolveu a criação de diferentes cenários, com variação no número de falantes, buscando reproduzir situações comuns, como ambientes escolares e conversas cotidianas. A diversidade de falantes e a escolha de diferentes tipos de texto, como diálogos e crônicas, foram elementos-chave para garantir a representatividade e a aplicabilidade dos ruídos em diferentes contextos.

A aplicação desses ruídos em testes de percepção de fala no ruído permitirá uma avaliação mais precisa do desempenho auditivo de crianças e adultos em ambientes desafiadores, como salas de aula ruidosas ou locais públicos movimentados. Além disso, esses instrumentos têm o potencial de contribuir significativamente para a compreensão dos mecanismos de percepção de fala em condições adversas, auxiliando no desenvolvimento de estratégias de intervenção e reabilitação auditiva.

Com base na revisão da literatura e nos resultados obtidos, foi identificado que os áudios mais adequados para pesquisas de percepção de fala com adultos e crianças foram aqueles com doze falantes, seja lendo crônicas ou dialogando. Notavelmente, observou-se que os diálogos obtiveram índices superiores de compreensão em comparação com as crônicas, sugerindo a relevância de considerar o tipo de texto na concepção de testes de percepção de fala no ruído.

Em suma, o desenvolvimento desses ruídos de babble em português brasileiro representa um avanço significativo para a pesquisa e a prática clínica em percepção de fala, oferecendo instrumentos mais robustos e culturalmente adaptados para avaliar a habilidade auditiva em condições desafiadoras. Essa iniciativa promove uma compreensão mais abrangente dos desafios enfrentados por indivíduos com dificuldades de audição e abre caminho para a implementação de intervenções mais eficazes e personalizadas.